O volume de inquéritos abertos para apurar situações que envolvem parlamentares é tanto maior quanto mais avançada estiver a democracia. Só para lembrar: em épocas de ditadura política, estes mecanismos deixam de funcionar.
A cada ano que passa, as investigações feitas por parlamentares ou policiais federais reúnem informações de que os temas apurados em determinada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) estão ligados aos de outras. Assim como, muitas das pessoas investigadas são personagens em diversas delas. As mesmas figuras se revezam nos papéis de protagonistas ou coadjuvantes em cada uma das situações apuradas. São sempre os mesmos.
Os dados levantados pelas CPIs acabam por integrar o trabalho da Polícia Federal, que continua as investigações quando encerra o prazo de funcionamento de cada comissão, que é um órgão temporário, estabelecido com datas para início e fim dos trabalhos.
A clareza sobre o funcionamento de um regime democrático ajuda-nos a não julgar momentos presentes. Perceber o contexto talvez seja mais importante. É claro que a ansiedade faz com que se queira ver tudo resolvido rapidamente, mas o que na vida tem solução imediata? Certos assuntos servem de aprendizado para muitos. Talvez por isso fiquem em evidência por tantos anos. A punição serve de exemplo para quem acha que é mais fácil seguir a linha da corrupção. Ela evita que algumas pessoas tomem este caminho e dá a certeza de que a justiça existe a quem jamais faria algo de errado.
(17 de julho de 2008)

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